Entendendo melhor cada índice de inflação



          Ao entender o básico sobre o que seria a inflação, como vimos em outro post, você percebe que ela, no geral, é medida através de uma cesta de produtos que representa o consumo de uma família brasileira e que para isso, existem diversos índices. Cada índice segue uma metodologia diferente, seja em relação aos dias que os mesmos são apurados, os produtos que constam na cesta ou a faixa da população estudada.



Cada índice apresenta um resultado "diferente" para a inflação. A alta ou queda de preços não atinge a todos da mesma forma, cada consumidor sente mais quando algum produto que consome tem seu valor alterado. Por isso, cada índice usa em seus cálculos, regiões diferentes, faixas de renda diferentes, itens diferentes e até períodos diferentes, o que torna a medição mais segura por haver diversas fontes. Você pode encontrar os valores nominais de cada índice em algum período de tempo no site do Cálculo Exato e com esse post, você vai entender o que cada um mede:

  •          IGP-DI ou Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna

É medido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e se baseia na inflação de preços desde matérias-primas e industriais até bens e serviços finais, ou seja, bens de consumo e bens de produção. Ele se baseia nas variações de preços de todo o mês de referência, ou seja, do dia 1 ao 30 de cada mêsO IPG-DI abrange toda a população, sem restrição de nível de renda e é utilizado para reajustes de tarifas públicas, contratos de aluguel e planos e seguros de saúde (nos contratos mais antigos).
  •          IGP-M ou Índice Geral de Preços do Mercado

É medido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) assim como o IGP-DI e segue sua metodologia, porém é pesquisado entre os dias 21 de um mês e 20 do seguinte. Esse índice é usado atualmente como referência para o reajuste dos aumentos da energia elétrica e dos contratos de aluguéis.

  •          INPC ou Índice Nacional de Preços ao Consumidor


Diferentemente dos anteriores, o INPC é medido pelo IBGE e ele calcula a média de custo de vida para famílias com renda de um até 5 salários mínimos, que gastam todo o rendimento em consumo corrente como alimentação e remédios. Ele abrange as Regiões Metropolitanas do Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife, São Paulo, Belém, Fortaleza, Salvador, Curitiba e Vitória, além de Brasília e dos Municípios de Goiânia e Campo Grande. O índice é utilizado para negociação de reajustes salariais. Calculado do dia 1º ao dia 30 ou 31, dependendo do mês.

  •          IPCA ou Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo

Assim como o INPC, também é medido pelo IBGE e a pesquisa é feita nas mesmas regiões, porém reflete o custo de vida para famílias com renda mensal de 1 a 40 salários mínimos. Este é o índice que o Banco Central utiliza como medidor oficial da inflação do país. O governo também o utiliza como referência para verificar se a meta estabelecida para a inflação está sendo cumprida. Calculado do dia 1º ao dia 30 ou 31, dependendo do mês.

  •          IPC ou Índice de Preços ao Consumidor

Índice elaborado pela Fundação Getúlio Vargas, mede a variação de preços de um conjunto fixo de bens e serviços que são considerados despesas habituais de famílias com nível de renda entre 1 e 33 salários mínimos mensais. É considerado referência para avaliação do poder de compra do consumidor e é pesquisado diariamente em sete capitais: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Recife, Porto Alegre e Brasília.

  •         INCC ou Índice Nacional de Custo da Construção

O INCC, elaborado pela Fundação Getúlio Vargas, avalia a evolução dos custos no setor da construção, que é considerado um dos termômetros do nível de atividade da economia. Abrange materiais e equipamentos, serviços e mão de obra, isto em sete capitais: Recife, Salvador, Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Brasília e Porto Alegre.

  •   IPC-Fipe ou Índice de Preços ao Consumidor da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, da USP

Este índice é pesquisado no município de São Paulo e reflete os custos de vida de famílias com renda de 1 a 10 salários mínimos. Calculado medindo-se o mês cheio, de 1 a 30 ou 31, e de maneira quadrissemanal (período constituido por quatro semanas). O IPC-Fipe é utilizado como índices de reajuste formal para contratos da Prefeitura de São Paulo, conforme Decreto nº 53.841 publicado em 19 de abril de 2013.

  •     ICV-Dieese ou Índice do Custo de Vida do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos

Este índice também é pesquisado no município de São Paulo e reflete os custos de vida das famílias com renda de 1 a 30 salários mínimos. Ele é calculado em três extratos distintos, o 1º de famílias com menor renda (de 1 a 3 salários mínimos), o 2º com famílias de renda intermediárias (de 1 a 5 salários mínimos) e o 3º com maior poder aquisitivo (de 1 a 30 salários mínimos).